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Importação: Relevância Econômica e os Falsos Mitos

Importação: Relevância Econômica e os Falsos Mitos

No início do ano, durante o Fórum Econômico Mundial, o Ministro da Economia indicou que o Governo Brasileiro internacionalizará as suas compras na busca por eficiência. Na semana passada, o mesmo Ministro da Economia opinou publicamente que uma taxa de câmbio elevada, portanto acima do equilíbrio econômico, era “boa para todo mundo”.

As mensagens indicam um paradoxo de percepção econômica: (i) a inserção do Brasil (e das empresas brasileiras) às compras internacionais como política de desenvolvimento econômico, indicando a correção de um erro histórico, aquele no qual o Brasil mergulhou julgando que o comércio internacional deveria ser uma via de mão única; (ii) a manutenção da velha prática de desvalorização cambial para obtenção de ganhos artificiais e pontuais, em detrimento ao conjunto dos agentes produtivos e econômicos no longo prazo.

Afinal, o que é bom para o Brasil?

É evidente, para não dizer urgente, que as empresas nacionais devem sempre buscar aumentar os seus mercados pelas vendas ao exterior, não se limitando aos consumidores brasileiros. Disso, tanto o Governo, como o setor privado e a sociedade civil não duvidam! Mas este objetivo deve ser perseguido através de inovação e eficiência, não de taxa cambial elevada.
Isso porque a taxa de câmbio elevada mascara uma eventual baixa produtividade das empresas nacionais, não sustentável no longo prazo, e tem implicações outras.

Os dados da Balança Comercial brasileira de 2019, divulgados pelo Ministério da Economia, indicam que 86,04% das importações brasileiras foram de Bens de Capital (BK), Bens Intermediários (BI) e Combustíveis e Lubrificantes, dentro das classificações denominadas de “Grandes Categorias Econômicas”. Apenas 13,89% e 0,07% das importações foram de Bens de Consumo (BC) e Bens Não Especificados Anteriormente, respectivamente.

O que se depreende desta análise é que a enorme maioria dos bens e mercadorias importados são destinados às cadeias produtivas nacionais e que uma taxa de câmbio elevada não será “boa para todo mundo”. Ora, bens e mercadorias produzidos e transacionados no Brasil a partir de equipamentos, insumos e combustíveis importados a uma taxa de câmbio elevada ficarão mais caros, por conseguinte o Consumo cairá.

Para combater a inflação, decorrente do aumento de preços, a taxa de juros será elevada e a sua função inversa, o Investimento, se reduzirá. Queda das
variáveis Consumo e Investimento afetam a Demanda Agregada, resultando em menor crescimento econômico. É uma análise simplista, mas cujo vetor é inquestionável.

A recomendação ao Governo é pela urgente eliminação das barreiras tarifárias e não tarifárias descabidas e pelo ajuste da estrutura dos órgãos anuentes às importações, em estímulo também à internacionalização das compras pelas empresas nacionais: novos produtos, equipamentos,
insumos e matérias primas de melhor qualidade, mais baratos e de tecnologia mais avançada.

Uma vez que os recursos econômicos são escassos, a troca entre países (exportação e importação) em um sistema de preços livres (o que inclui taxa de câmbio equilibrada) ficou consagrada na Teoria Econômica Clássica como caminho para a geração de riqueza e bem-estar social, com a consequente melhoria da qualidade de vida de seus povos. No longo prazo, se possível, os fatores de produção se movem em busca de eficiência.
Erroneamente, no Brasil, a Importação não é considerada como uma Atividade Econômica relevante, pois que se difundiram e se estabeleceram falsos mitos que contribuem para o nosso baixo desenvolvimento econômico. É nossa obrigação revelá-los e combatê-los:

  1. Falso Mito: “Os produtos importados são de qualidade e procedência duvidosas.”
    Contraponto: Qualidade e procedência duvidosas são características do contrabando e pirataria, que não se confundem com a importação legítima.
  2. Falso Mito: “Os produtos importados são caros, sofisticados e destinados à elite.”
    Contraponto: Os bens e mercadorias importados estão positivamente presentes na vida do cidadão comum, desde o momento em que acorda até o momento em que vai dormir, nos lares mais simples aos mais abastados, ainda que isso seja completamente ignorado pela sociedade.
  3. Falso Mito: “A Importação é um crime de lesa-pátria, pois prejudica as empresas nacionais.”
    Contraponto: Essa visão anacrônica favorece apenas a alguns “Amigos do Rei”, que se beneficiam de uma economia fechada e sem consciência da relevância econômica da Importação, em detrimento do conjunto das demais empresas e dos consumidores brasileiros. A Importação favorece à eficiência das empresas nacionais, uma vez que acima de 86% dos bens e mercadorias importados entram nas cadeias produtivas nacionais, melhorando qualidade, introduzindo novas tecnologias e reduzindo custo.
  4. Falso Mito: “A Importação prejudica o desenvolvimento econômico nacional.”
    Contraponto: Não há desenvolvimento econômico e bem-estar social, nem acesso ao progresso tecnológico e aos benefícios da vida moderna, sem o comércio de bens e mercadorias entre os povos. A economia brasileira depende da Importação para se desenvolver e tem um elevado coeficiente de propensão marginal a importar, ou seja, há necessidade de seguir importando à medida que há crescimento econômico. A importação como atividade econômica é grande arrecadadora de tributos e contribuições ao Estado, sem o que não se sustentariam as contas públicas.

Se desejamos um ambiente de crescimento econômico, geração de riqueza e bem-estar social, devemos nos mover em direção a um crescente fluxo de compra e venda no mercado internacional, conjugado ao investimento em educação e infraestrutura e ao equilíbrio das
contas públicas, na certeza de que o modelo que temos vivido está exaurido, por representar expressão mínima das nossas potencialidades.

André Almeida de Menezes Côrtes

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