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Desvendando um dos principais acordos da história mundial: Acordo comercial EUA e China.

Os acordos internacionais permeiam dentre um dos assuntos mais debatidos por todos os países e em toda literatura da ciência econômica e relacionada ao comércio internacional. Isto porque ora são vistos de forma positiva, ao instaurar o ganha-ganha entre os acordantes, ora são os responsáveis pela desigualdade salarial, social e precarização da mão de obra ou ainda tantos outros efeitos.

Através da revisão de alguns estudos científicos, o parecer sobre os acordos pode variar com o decorrer e desempenho da economia de um determinado país. Isto é, se este apresenta “entraves” conjunturais, as economias se tornam mais avessas aos diálogos com outros países. Se contrário, as economias serão mais propícias aos mesmos (assunto para os nossos cursos).

No dia 15 de janeiro de 2020, o mundo presenciou um dos maiores acordos da história da economia internacional, de diálogo, mesmo que de forma tímida e inicial.

O acordo foi estabelecido entre os Estados Unidos e a China, de forma incipiente pois trata-se da Fase 1 do Pacto comercial entre as grandes potências mundiais após meses de conflitos tarifários. Mesmo que inicial já acenaram a súbita iniciação da segunda fase.

O que ocorre na prática

Os dois países suspenderão a aplicação de novas tarifas sobre importações e os EUA retirarão as acusações sobre o comércio desleal, desvalorização cambial e pirataria praticada pela China.

Adicionalmente, os EUA suspenderão o aumento de 10% para 15% na taxação sobre cerca de US$ 156 bilhões em bens chineses, medida que entraria em vigor nesta mesma semana. Embora tenham sido suspensas as tarifas que entrariam em vigor, as já existentes, de 25% permanecerão. Essas tarifas são aplicadas em aproximadamente US$ 250 bilhões de produtos chineses e por volta de US$ 120 bilhões serão taxados a 7,5%.

A China, o país possui o compromisso de incrementar a importação de energia e produtos agrícolas (incluindo trigo e milho), farmacêuticos e serviços financeiros dos EUA – valores a serem divulgados. O único valor mencionado é de US$ 32 bilhões em produtos agrícolas adicionais ao longo de 2 anos.

Importância do acordo

A economia chinesa bem como, os industriais e agricultores norte americanos enfrentam as consequências negativas desta longa guerra comercial. O acordo significa o início da pacificação, a isenção de tarifas para a entrada dos produtos chineses nos Estados Unidos, o compromisso do País para com a China e a cautela contra pirataria e o zelo à propriedade intelectual do lado asiático.

Possíveis consequências para os EUA – em síntese

1 – Simboliza uma possível vitória política do presidente Donald Trump para o seu mandato já que busca aprovação de seu eleitorado, bastante descontente com suas condutas.

2 – A trégua na guerra comercial tranquiliza os mercados que, em 2018 e 2019, sofreram vários sobressaltos pela decisão de Washington e Pequim onde impuseram mútuas tarifas punitivas.

3 – Possível estímulo à economia americana, redução de incertezas e fortalecimento da confiança do consumidor – principal motor de crescimento da economia norte americana. Impulsionando também, os investimentos por parte dos empresários, reduzidos por conta da crise.

4 – Redução do déficit comercial bilateral dos EUA.

5 – Recuperação das atividades siderúrgicas e de transformação norte americanas (aço e alumínio), abaladas pela alta capacidade produtiva das indústrias chinesas.

Perspectivas globais e para o Brasil

Espera-se que os fluxos globais de comércio se estabilizem ou mesmo elevem-se em 2020. No entanto, existem algumas dúvidas se a China conseguirá cumprir o compromisso de aumentar as compras agrícolas já que, a demanda por soja – importante produto dos EUA – encontra-se em queda devido à febre suína africana no país. Igualmente pouco provável o aumento das compras de milho – também alimento dos animais.

Os embarques brasileiros de produtos agrícolas para a China (principal destino das exportações brasileiras) podem ser afetados, principalmente, os de carne e de soja, onde os EUA estarão em uma posição mais favorável, passando a concorrer com o Brasil.

O setor agrícola nacional pode deixar de vender US$ 30 bilhões para os chineses, em produtos como carne, soja, milho, suco de laranja e açúcar. Por outro lado, a China compra grandes volumes de soja e os EUA podem não ser capazes de atender toda a demanda chinesa, principalmente, se houver um aumento da procura pelo produto.

O Brasil pode deixar se vender para a China, porém pode ter a oportunidade de exportar produtos para outros países aos quais os EUA deixarão de vender para atender à demanda chinesa.

Em um clima pacificador, de inúmeras possibilidades e ainda incertezas, o comércio internacional aguarda a concretização e compromisso por parte de ambos acordantes e a Fase 2, composta por debates no que as questões tecnológicas e cibersegurança.

Autora: Cristiane Mancini, mestre e economista ambos pela PUC-SP, extensões Università Tor Vergata, Transparency International, Universidad de Rosario, dentre outras e docente de economia.

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