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Câmbio: A influência no Comex

Diego J. Ventura

Hoje pela manhã me dei conta de como somos influenciados por fatores externos. É um tal de ir de carro porque está chovendo, atrasar porque o cachorro demorou mais do que o previsto no passeio, ficar triste porque um amigo ligou dizendo que vai mudar de país, ou não ir acampar no final de semana porque o filho tem aniversário de um coleguinha da escola.

Não somos uma bolha. Nossa casa não é. Nosso país também não.

De novo. É um tal de 11 de setembro ( ok, alguns muito jovens talvez nem lembrem, mas eu já estava na faculdade), crise imobiliária nos Estados Unidos (ok, isso também já faz um certo tempo), Europa em dívida, eleições presidenciais, incêndio aqui, incêndio acolá. Guerra comercial entre Estados Unidos e China e a tensão entre, de novo, Estados Unidos e Irã.

Se não bastasse tudo isso, o tal coronavírus. Que além de ser algo bastante sério comprometendo vidas e gerando um impacto mundial, está dando dor de cabeça a uma reconhecida marca de cerveja, para provar que não tem a nada a ver com a história.

Sabe o que tudo isso significa? Somos suscetíveis a fatores externos. Nós e o mundo. O que acontece aqui repercute lá fora e vice-versa. Em decorrência dessa série de influências (e algumas outras causas, mas que não vêm ao caso) o Brasil mantém uma participação no comércio mundial muito pequena, sempre patinando na casa de 1%. Há quem diga que uma das razões é termos um grande mercado consumidor interno, o que nos faz destinar maior parte de nossa produção à esse público.

No comércio exterior, as negociações geralmente são feitas em moedas consideradas “fortes”. Ou, conversíveis. E aí vem aquela máxima: alguém fala algo, dólar cai, crise de petróleo dólar sobe, aprova uma reforma, dólar cai. E por aí vai.

Isso significa que o câmbio exerce forte impacto nas importações e exportações. Nossa moeda frente ao dólar está na na casa dos R$ 4,20. Uma carga que custe US$ 100.000,00, o importador terá que desembolsar nada menos do que R$ 420.000,00. Sem entrar na questão tributária.

Aí você pode estar pensando, ah mas o exportador deve estar dando risada com o câmbio a essa cotação. Sim, pero no mucho. O mundo sabe quanto está valendo nossa moeda perante o dólar estadunidense. E, portanto, os importadores pleiteiam valores reduzidos de modo a não ganharmos tanto assim em cima da variação cambial.

Embora tenhamos esse cenário atual, dólar alto teoricamente favorecendo a exportação e prejudicando a importação, vimos a balança comercial da terceira semana de janeiro fechar em déficit. Ou seja, o número de importações superou o volume de exportações no período.

Aí pode ser o que sempre dizem: pior do que dólar alto, é dólar instável! Existem dois momentos cruciais e que demandam análise apurada para suavizar o impacto cambial nas importações. A data de fechamento do câmbio, que significa a compra de moeda estrangeira para pagamento do fornecedor internacional. E a data do registro da declaração de importação (DI). Pois é nessa data que o importador pagará os tributos incidentes na operação. E que sofrem alteração de acordo com com a conversão cambial.

Já na exportação, é o oposto. O importador chinês, por exemplo, fará a remessa de divisa em moeda estrangeira (normalmente dólar dos Estados Unidos) e o exportador fará a venda dessa moeda ao banco (ou instituição autorizada a operar com câmbio) e sairá com o pagamento em reais. Portanto, é importante escolher a melhor cotação para essa conversão.
Sofremos uma série de interferências externas. Sejam climáticas, econômicas, financeiras, cambiais ou ideológicas. O importante é estabelecermos políticas elaboradas na área de Comércio Exterior que as suavizem e nos deem fôlego para continuar.

E por fim, resta dizer. As influências são inevitáveis. Vento que venta lá, venta cá!

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